ARTÍGOS
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COMO DEVE ACONTECER A INCLUSÃO DE CRIANÇAS ESPECIAIS NAS ESCOLAS Déborah Márcia de Sá Barbosa (UECE) Arianne de Sá Barbosa (UECE) GT 12 – Educação e Políticas de inclusão Social Introdução Atualmente se fala muito em Inclusão Social, mas será que todos sabem realmente o significado de fazer Inclusão? Ou será que as escolas estão somente aceitando o fato como a novidade do momento", como se incluir fosse apenas aceitar um indivíduo diferente na sala de aula? Segundo Mittler (2003, p.25) "a Inclusão envolve um processo de reforma e de reestruturação das escolas como um todo, com o objetivo de assegurar que todos os alunos possam ter acesso a todas as gamas de oportunidades educacionais e sociais oferecidas pela escola". Esse conceito de inclusão do autor envolve uma reflexão sobre a filosofia político pedagógica da escola e a prática dos professores. É um repensar nos valores e objetivos que a escola tem ou pretende ter no que diz respeito ao processo de ensinoaprendizagem de seus alunos. Conforme o autor, o ideal seria não enfatizar os defeitos e as limitações, mas as habilidades a serem potencializadas. Isso poderia ser feito através de avaliações onde se pudessem detectar "pontos fracos e fortes" das crianças especiais para, a partir disto, fazer um diagnóstico e planejar um programa de intervenção junto às mesmas, onde os pontos fortes seriam potencializados e os fracos minimizados. Além disso, seria primordial um trabalho junto às crianças ditas "normais" e aos seus familiares, em uma tentativa de promover um clima de aceitação incondicional da diferença que acarretaria na dissolução das desigualdades e no desenvolvimento interacional tanto das crianças especiais quanto das outras crianças "normais". O objetivo é dar apoio a criança com dificuldade de aprendizagem para que ela se adapte ao sistema educacional na medida que o sistema educacional se adapta a esta. Assim, seria necessário que, primeiramente, a escola se adaptasse às criança especiais para depois as mesmas conseguirem se adaptar não somente à escola, mas à sociedade como um todo. Este processo de intervenção não é específico para o grupo de crianças ditas deficientes, mas sim, para todas, afinal, sempre haverão diferenças individuais dentro da escola que deverão ser trabalhadas. Todas precisam de um bom ensino que leve em conta os padrões individuais de aprendizagem. Baseado nesta proposta de Mittler (20003), apresentase, nesse trabalho, informações e sugestões de como trabalhar com tipos diferentes de crianças especiais. Deficiência Auditiva Há várias controvérsias metodológicas referentes à Educação dos Deficientes Auditivos. As três principais controvérsias são referentes ao modo que se deve incluílos na comunidade verbal. Muito se discute sobre qual perspectiva metodológica deve ser adotada: o Oralismo, o Bimodalismo ou o Bilingüismo. Mesmo hoje em dia, ainda é bastante utilizada a linguagem oral junto ao surdo em uma tentativa de fazêlo apreender esta através de leitura labial. Sabese, no entanto, que o oralismo é prejudicial, pois exige um grande esforço por parte do surdo, que, muitas vezes, se desestimula e passa a evitar situações em que lhe são exigidos comportamentos sociais referentes a esta aprendizagem, assim, tanto qualitativamente quanto quantitativamente, sua Interação Social é prejudicada. Este prejuízo, inclusive, pode acarretar em outros, tais como atrasos cognitivos. O grande esforço exigido do surdo para que este aprenda a se comunicar "oralmente", faz com que esta perspectiva metodológica seja, na verdade, uma "perspectiva da imposição". Forçadamente, o surdo pode até conseguir pronunciar algumas palavras para a sua melhor socialização, assim como compreender o que os outros falam, no entanto, como uma pessoa pode efetivamente aprender a falar se ela não escuta? Assim, tendo em vista que, em média, apenas 20% das palavras podem ser compreendidas, a comunicação dos surdos através do oralismo estará sempre destinada a ser deficitária. Além disso, esta perspectiva metodológica exige dos surdos uma atenção muito grande nos lábios dos "falantes", e destes é exigido um acompanhamento muito próximo (têm que falar sempre devagar e olhando diretamente para os surdos, porque senão estes se "perdem" na leitura labial). A linguagem Bimodal, por sua vez, seria a combinação da linguagem dos sinais e da linguagem oral, o que acarreta em uma modificação tanto da primeira quanto da Segunda. É uma perspectiva metodológica que propicia uma comunicação complexa e insere o surdo tanto na comunidade dos ouvintes quanto na dos surdos, o que não acontecia com o oralismo, que restringia a comunicação dos surdos apenas com os não surdos. Por isso mesmo, exige um maior período de tempo por parte dos surdos para aprendêla. Além disso, na medida em que ela é um tipo de tradução simultânea da língua dos sinais para a língua oral e, assim, modifica ambas, acarreta em uma aprendizagem prejudicial, pois não ensina direito ao surdo nenhuma das suas linguagens. Por fim, temse o Bilingïsmo, que ao ensinar o surdo tanto a língua dos sinais quanto a oral, mas de maneira não simultânea, propicia a aprendizagem correta de ambas as línguas. Esta perspectiva metodológica se caracteriza por ensinar, primeiramente a Língua dos Sinais para, depois, a partir desta, ensinar a língua oral, assim como fazemos para aprender uma língua extrangeira (a partir da nossa "língua mãe" aprendemos uma outra língua). Assim, o Bilingüismo é benéfico na medida em que leva em consideração as diferenças estruturais entre a linguagem dos Sinais e o Português, o que não fazia a linguagem Bimodal. Em relação aos desafios atuais na Educação dos surdos, devese, primeiramente pensar acerca dos objetivos a que se propõe essa educação junto aos surdos. Na medida em que a educação dos surdos não pode ser considerada um adestramento destes para que possam ser forçosamente inseridos na comunidade dos ouvintes sem qualquer adaptação destes à realidade dos surdos e, muito menos, a sua exclusão e isolamento desta comunidade, devese ter o cuidado para que os objetivos da Educação dos surdos não se localizem em nenhum destes extremos. Hoje em dia, temse uma opinião formada acerca da necessidade de não isolar as crianças surdas em colégios exclusivos para elas. Sabese, atualmente, que a convivência destas crianças juntos com crianças ouvintes pode ser enriquecedora não somente para elas como para estas últimas, assim, como é enriquecedora a convivência de duas crianças (ou adolescentes) de países diferentes que falam duas línguas diferentes. No entanto, para que crianças com deficiência auditiva sejam educadas em colégios de ouvintes, este tem que passar por uma série de mudanças que venham a propiciar uma inserção adequada desta, afinal, "os alunos surdos dos colégios regulares recebem menos atenção e de menor qualidade, já que o número de alunos por aula é maior e os recursos técnicos, pelo contrário, são menores; os professores nos colégios regulares não estão preparados para ensinar a crianças surdas; os alunos surdos têm sérios atrasos na comunicação oral e, por este motivo, sua integração social não é fácil. Além disso, sua lentidão na aquisição da linguagem oral afeta as possibilidades de uma aprendizagem normal; a integração marginaliza a linguagem dos sinais, que é necessária, segundo opinião quase unânime das associações de surdos, para a educação dos alunos surdos." (MARCHESI, Alvaro) Desta maneira, as escolas regulares que se propõem a aceitar alunos surdos, não devem, simplesmente, aceitálos, largálos à própria sorte, tentar adequálos ao sistema que foi criado para as crianças ouvintes, mas efetivamente ACEITÁLOS. Deve haver um projeto de educação específico no centro educacional que dê conta da demanda das crianças com deficiência auditiva. Este projeto deve ser desenvolvido levando em consideração critérios que levem em consideração a presença da criança surda na instituição e todas as suas limitações. Isto não quer dizer que as crianças ouvintes vão se sair prejudicadas, mas que as crianças com deficiência auditiva vão ter uma atenção especial e que vai haver compromisso por parte da escola em trabalhar as dificuldades destas a fim de ajudar as mesmas a superálas. Somente levando em consideração todas estas variáveis vai haver uma efetiva inclusão das crianças surdas no âmbito escolar. Não apenas a criança surda deve se adequar à escola, mas à escola deve se adequar a esta. E, consequentemente, com uma efetiva inclusão, haverá maior facilidade de a criança surda melhorar qualitativamente e quantitativamente a sua interação social. A socialização da criança com deficiência auditiva na sociedade, assim, vai depender de como ela foi acolhida quando criança, no seu âmbito escolar, não apenas no âmbito familiar. Deficiência Visual A cegueira, como uma deficiência em um dos principais canais de comunicação com o meio, compromete o desenvolvimento da criança, que deverá ocorrer de maneira diferente que o da criança que enxerga. Primeiramente, devese levar em conta se a cegueira de uma criança é congênita ou adquirida. Se adquirida, como aconteceu isto, em qual idade, etc. De qualquer forma, devese sempre, à prori, analisar as contingências ambientais passadas e presentes que podem terem influenciado ou ainda influenciar no desenvolvimento da criança cega. Sabese que as pessoas com cegueira congênita têm um desenvolvimento psicológico mais saudável do que as que têm cegueira adquirida, principalmente, se o momento da ocorrência desta foi tardio e se a sua família também não aceitar a sua situação. As primeiras, não tiveram a experiência do "enxergar", não desenvolveram o sentimento de perda, suafamília desde cedo teve que se adaptar à sua condição de cegueira. Consequentemente, o desenvolvimento cognitivo destas pessoas também se aproxima do normal, não há tanto comprometimento na apropriação do mundo por estas quanto as pessoas com cegueira adquirida, que tem resistência, negam a sua cegueira e tentam prosseguir à vida sem adaptarse a esta. A participação da família no desenvolvimento destas pessoas, portanto, é essencial. Quanto maior a aceitação destes, maior será também a aceitação do deficiente visual como tal, assim, maior será a busca por mecanismos que venham a favorecer a sua inclusão na sociedade como um todo: busca por aprender o Braile, que possibilitará o seu acesso à informação escrita; busca por empregos, namorado(a), diversão; meios para se movimentar no espaço físico (bengala, cão guia), desenvolvimento maior da liguagem, etc. Enfim, com uma boa aceitação da família de sua condição o deficiente visual, que tende a ter a sua estima baixa, ser inseguro, tímido, retraído, este tende a se auto afirmar como deficiente e lidar com esta melhor, tendo um desenvolvimento psicológico e, conseqüente um cognitivo, melhor. Esta participação da família deve se estender à sociedade como um todo, que deve aprender a adaptarse ao deficiente e encarálo como um cidadão como qualquer outro que tem direitos, deveres e diferenças. Assim , os principais canais comunicação com o mundo do deficiente visual são a audição e o tato, que devem ser desenvolvidos amplamente com o fim de propiciar um desenvolvimento cognitivo o menos deficitário possível. Há uma grande dificuldade de apropriação do mundo através destes sentidos, pois eles apreendem as características dos objetos de forma seqüencial, portanto, mais lenta, enquanto a visão o faz simultaneamente. Além disso, a percepção da realidade pelos cegos é muito diferente da das pessoas que enxergam. Se estas estão sujeitas à probabilidade de serem ludibriadas pelo seu sentido principal, visão, os cegos estão mais sujeitos ao erro ainda. Ademais, a memória do cego não pode ser similar a de uma pessoa que enxerga, ela requer o armazenamento de percepções da realidade não imagéticas, ou seja, referentes principalmente ao tato e à audição, o que é pouco desenvolvido em pessoas que enxergam. E há uma maior carga da memória de trabalho destes quando estes se apropriam do mundo, justamente devido ao caráter seqüencial da apreensão do mundo através do tato. Podese, desta maneira, afirmar que há muitas diferenças entre o desenvolvimento de uma criança cega e o de uma criança que enxerga, mas estas diferenças não necessariamente devem ser pejorativas. Se as condições necessárias para o desenvolvimento das crianças cegas forem satisfeitas, estas podem se desenvolver tão satisfatoriamente quanto uma criança que enxerga, mesmo que com um maior esforço. Isto pode ser explicado por haverem também semelhanças na apreensão de mundo das crianças que enxergam e as que não enxergam. Recentemente, foi descoberto, por exemplo, que indivíduos cegos, ao ler o Braile, ativam o lobo occipital. Este lobo, porém é responsável pelo processamento de informações visuais. Além disso, as mão, como os olhos, ao explorar alguma forma desconhecida, tendem a movimentarse de forma a conseguir formar uma imagem desta, mesmo que demorem mais a atingir o seu intuito. A cegueira, desta forma, mesmo trazendo limitações para a vida de que a tem, não impede uma interação com o mundo. Os outros sentidos podem desenvolver as funções da visão se desenvolvidos precoce e eficazmente. Autismo Definição Segundo o CID 10, o transtorno autista é um transtorno global do desenvolvimento, caracterizado, assim, um desenvolvimento anormal ou alterado, o qual deve se manifestar antes da idade de três anos e apresentar uma perturbação característica nas interações sociais, comunicação e comportamento. Podese, portanto, definir autismo como uma deficiência profunda do comportamento a nível social. Desenvolvimento da criança autista O desenvolvimento da criança autista é comprometido devido à deficiências ou modificações em vários de seus comportamentos e correlatos biológicos. Podese notar estas alterações quando observase várias características da criança autista. Dentre as principais características dos autistas, primeiramente, podese citar o fato de "não se misturarem com outras pessoas", não conseguindo interagir com as outras pessoas e colegas da sua idade, compartilhar experiências, trocar informações, ou até não manter contato visual com as outras pessoas. Até o brincar do autista é individual. Eles não gostam de modificações na rotina tais como mudanças de lugar dos seus objetos, de horários, de realização de tarefas, etc. Além disso, podese citar a habitual utilização das pessoas como ferramentas, como por exemplo pegar a mão de alguém para abrir uma porta ou para pegar um objeto que deseja, não fazendo isso sozinho. Outra característica dos autistas é o apego inapropriado a objetos, assim, um autista pode utilizar um copo como sanitário, uma panela como bola, entre outros. Además, estes gostam de girar objetos e fazer movimentos repetitivos e estereotipados. É necessário citar aqui também a sua resistência ao aprendizado e ao meio como algo que lhe parece estranho. Muitas vezes, os autistas também agem como se fossem surdos, não gostam de contato físico e não demostram medo de perigos, fatos que ocorrem geralmente devido a disfunções fisiológicas na condução dos impulsos nervosos sensitivos/perceptuais. A linguagem de muitos autistas também pode ser bastante limitada, apresentando, muitas vezes, ecolália e linguagem restrita ao "literal". É comum também se observar nas brincadeiras e na linguagem da criança autista ausência de fantasia, do lúdico. Há ainda um prejuízo acentuado no uso de múltiplos comportamentos não verbais tais como contato visual direto, expressão facial, posturas corporais e gestos para regular a interação social. Além disso, há uma falta de tentativa espontânea de compartilhar prazer, interesses ou realizações com outras pessoas (por exemplo, não mostrar, trazer ou apontar objetos de interesse). Pode haver também uma falta de reciprocidade social ou emocional. Prejuízos qualitativos da comunicação também têm íntima relação com os prejuízos qualitativos na interação social. Assim, podese citar ainda como prejuízos na socialização do autista os atrasos ou ausência total de desenvolvimento da linguagem falada, não acompanhada por uma tentativa de compensála através de modos alternativos de comunicação tais como gestos ou mímicas; acentuado prejuízo na capacidade de iniciar ou desenvolver uma conversação, mesmo em indivíduos com fala adequada e uso repetitivo e estereotipado da linguagem ou linguagem idiossincrática. Por último, podese ainda citar a acentuada hiperatividade presente em alguns autistas. Esta também se dá geralmente devido a disfunções fisiológicas, sendo que, neste caso, está ligada a disfunções hormonais ouem neurotransmissores. A experiência de ser autista O autista, devido a todas estas características citadas acima, tem uma interação/inserção social difícil. Devido às alterações do sistema sensóriomotor (e de contingências ainda não conhecidas), à linguagem deficitária e aos vários outros omportamentos estereotipados decorrentes destas alterações fisiológicas, há estigmatização do ser autista, há exclusão social e há, consequentemente, um isolamento da criança autista, que passa a achar o mundo ameaçador e a adquirir atitudes de resistência em relação aos seus colegas e às outras pessoas. Assim, tanto as características próprias do transtorno autista quanto as estigmatizações e os preconceitos da sociedade contribuem para uma exclusão do autista tanto da escola quanto da sociedade e tornam a experiência de ser autista mais difícil ainda. Desenvolvimento Autista e Desenvolvimento Normal Como já foi explicitado acima, o desenvolvimento da criança autista apresenta diversas alterações em relação ao desenvolvimento normal observado na maioria das crianças. No entanto, estas alterações decorrem basicamente, de alterações fisiológicas( e de outras alterações, possivelmente ambientais, que ainda são desconhecidas) que vão comprometer principalmente os comportamentos sociais destas crianças. Outros comportamentos também podem ser alterados no autismo, porém, o que caracteriza primordialmente este transtorno são as desordens comportamentais de caráter social. Não necessariamente uma criança autista apresentará prejuízos cognitivos ou motores. Assim, é notável nas características citadas no item 2 o comprometimento à nível social das crianças autistas em relação às outra crianças. Educação da criança autista Princípios Gerais Uma das características da criança autista é a resistência ao aprendizado. Isto não quer dizer que os autistas não aprendam, porém eles costumam ter interesses, fixações, em coisas bem peculiares, não estando abertos para aprenderem outras coisas enquanto não deixam de lado o objeto de fixação. É sobre estes interesses do autista que deve ser trabalhada a sua aprendizagem. Por exemplo: se um autista estiver olhando um quadro na parede, onde está desenhada uma vaca, enquanto a professora ensinao a ler a palavra casa, ele não vai prestar atenção ao que a professora está ensinandoo e, portanto, não vai aprender a escrever a palavra casa. Mas se esta professora tiver a sensibilidade de perceber o interesse deste autista, ela pode passar a ensinálo o que é uma vaca, onde ela vive e como se escreve a palavra vaca. Pode ser que este autista, então, passe a prestar atenção ao que a professora está lhe ensinando e até aprenda algo sobre este assunto. Além disso, como há um prejuízo da interação social da criança autista, esta costuma ter uma postura de isolamento e até de irritação quando se sente "invadida" no âmbito escolar. Assim, a postura não só dos professores, quanto à de pessoas da escola(colegas de classe, funcionários, etc) deve ser de cautela e compreensão, pois não se sabe ainda a etiologia certa do autismo. As rotinas/hábitos do autista devem ser respeitadas e contato com ele deve ser gradual, não forçado. O educador deve estar sempre atento às reações da criança autista e às contingências ambientais que provocam crises neste, no intuito de poder evitálas. Neste sentido, há a necessidade de o educador estar sempre procurando se informar sobre novas metodologias para a re alização de umtrabalho cada vez melhor e mais eficiente com a criança autista. Hiperatividade A hiperatividade é um distúrbio comportamental, que no início do século XX, foi chamada de disfunção cerebral mínima, passando posteriormente a ser chamado de hipercinesia, ou hipercinese e, logo a seguir, hiperatividade, nome que ficou mais conhecido e perdurou por mais tempo (até hoje). Mas em 1987, a hiperatividade adquiriu uma nova denominação, passou a ser chamada de distúrbio de déficit de atenção , ou ainda distúrbio de déficit de atenção com hiperatividade , sendo que muitas vezes utilizase somente a sigla DDA (em português) ou ADD (em inglês " Attencion Deficit Disorder " ). É também eventualmente chamado de Síndrome de Deficit de Atenção. Este distúrbio caracterizase pela movimentação excessiva do indivíduo, falta de atenção, impaciência, impulsividade, distração, impossibilidade de focalizar a atenção por muito tempo em um determinado objetivo, o que traz ao estudante,( principalmente no início de sua vida escolar ) problemas de rejeição, dúvidas quanto à sua capacidade intelectual, baixa autoestima, e várias situações que, com a devida informação a pais, profissionais e ao próprio portador do distúrbio, podem ser minimizadas, contornadas ou mesmo eliminadas. Assim, crianças com DDAH (distúrbio de déficit de atenção com hiperatividade) geralmente são caracterizadas como desatentas, impulsivas e hiperativas, e podem exibir uma variedade de problemas dentro do contexto escolar (Barkley, 1990). Esses estudantes geralmente apresentam dificuldades em manter a atenção, seguir ordens, ficar sentados, e trabalharem independentemente na sala de aula. Estudos feitos nos EUA mostram que é possível amenizar os sintomas do DDAH através de estratégias de intervenção no comportamento, com feedback freqüente e supervisão individual ajuda a manter a atenção da criança. Tarefas repetitivas e pouco retorno, por outro lado, favorecemo aparecimento dos sintomas. O comportamento inadequado mostrado pelos alunos com DDAH freqüentemente interrompe a concentração de seus colegas e geralmente resulta em relações pobres com os demais alunos. Adicionalmente, esses problemas geralmente são acompanhados por outros associados (por exemplo, baixa autoestima, depressão) que pode afetar significativamente a performance desses estudantes. Diversos são os tipos de tratamento que podem ser utilizados para tratar crianças hiperativas. Os mais eficientes e, portanto, utilizados hoje em dia são os baseados na Psicologia Comportamental. A Neurologia também tem se dedicado a buscar medicamentos cada vez mais eficientes no controle dos comportamentos hiperativos, tais como os neurolépticos, que são usados no controle da dispersão e impulsividade. No entanto, no próprio contexto escolar podese buscar meios para se alcançar o controle destes comportamentos característicos da hiperatividade. Hoje em dia, já existem alguns meios bastante eficientes que podem ser utilizados no trabalho com alunos que apresentem esse tipo de distúrbio do comportamento, lembrando sempre que todo comportamento considerado inadequado deverá ser encaminhado para orientação específica, pois podeestar contido em um espectro mais amplo, talvez até precisando de ajudaprofissional especializada, como nos casos de autismo de alto desempenho , transtorno ( ou síndrome) de tourette (tiques nervosos), sindrome de asperger, e outras contidas nos transtornos invasivos do desenvolvimento, conforme DSMIV. Um meio de evitar a distração que prejudica tanto estas crianças no contexto escolar é olhar sempre nos olhos (eye contact) dela quando fala com a mesma. Desta maneira, você consegue chamar a atenção de uma criança DDAH e, ao mesmo tempo, evitar que ela se disperse. Organizar as carteiras em círculos, ou em forma de U, ao invés de fileiras também é uma boa maneira de manter a atenção das crianças hiperativas durante as aulas. Isto facilita o contato e particularmente o "eye contact" com os demais membros da classe, uma vez que esse tipo de aluno costuma estar " na turma do fundão ", não podendo visualizar os olhos dos companheiros de estudo, o que o torna ainda mais disperso. Devese ter também um cuidado com as cores da sala de aula e do fardamento. O estímulo multicolorido costuma deixálos mais excitados e menos atentos ainda, devendo ser evitadas cores fortes no ambiente(do espectro vermelho e amarelo), inclusive na vestimenta da criança (Tanganelli, 1995). É proveitoso, além disso, adotar um ritmo dinâmico de aula, de tal forma a criar oportunidade para que todos os alunos participem, sempre com o cuidado de não permitir que o aluno com DDAH se empolgue, disperse, demais. O uso recursos e formas de apresentação não habituais parece ser outrorecurso para chamar a atenção dos hiperativos crianças com DDAH adoram novidades. Explorar o seu cotidiano e fazer disso motivo para uma aula posterior ou mesmo criando um "gancho" na aula atual costuma ser muito proveitoso. Devese também utilizar metodologia preferencialmente visual. Isto porque as crianças DDAH aprendem melhor visualmente que por outros métodos, portanto, escreva palavraschave ao mesmo tempo que fala sobre o assunto. Estimular a criatividade, propondo tarefas que exijam a criatividade do aluno (explorar, construir, criar) e não passivas (questionarios com respostas tipo x ) é outra boa alternativa de trabalho com crianças hiperativas. Ser claro e objetivo ao definir as regras de comportamento dentro da sala de aula, criando, juntamente com os alunos, um código de conduta (simples, com poucas palavras, para facilitar a memorização ) e escrever este em uma tabela SEMPRE VISÍVEL afixada na parede pode ajudar a controlarcomportamentos hiperativos. A Repetição contínua das diretrizes pode ajudálos a memorizálas. Como dito cima, as pessoas com DDAH necessitam ouvir as coisas mais de uma vez, pois são profundamente visuais, aprendendo com mais facilidade quando as coisas são apresentadas da forma visual. O fornecimento, com antecedência (preferencialmente no final do dia anterior), de um programa com as atividades do dia a serem executadas (DuPaul & Stoner, 1994) seria útil para estas crianças. As mesmas necessitam de um ambiente estruturado. Assim, devese utilizar com estas listas, tabelas, lembretes, além de apresentar o programa das aulas do dia no final do dia anterior, pelo menos informando o assunto da aula do dia seguinte antes do término da aula anterior, pois essas crianças necessitam de diretrizes, organização, regras claras, definidas e ESCRITAS. Além disso, ao dar instruções para a classe, seria bom o professor solicitar que o aluno com DDAH repita para toda a classe. Isso darlheá duas oportunidades : de que tenha certeza de ter entendido o que é esperado dele ( e dos demais ) e ter sua autoestima ( em geral extremamente baixa ) reforçada. A memória é um grave problema para as crianças hiperativas. O ensino mnemônicos, através de quadrinhas, dicas, rimas, ajudaos na aprendizagem, pois eles tem problemas com a Memória de Trabalho Ativa ( Levine, 1995) e esses processos ajudam sobremaneira a aumentar essa memória. O desafio costuma motivar o portador de DDAH. Deve então o professor estabelecer de antemão com o aluno qual a tarefa a ser feita, quando será considerada concluída e quais os pontos para isso (checklist a ser verificado no final da mesma). Isso dará aos poucos ao portador de DDAH formas de lidar com sua ansiedade, e falhas de terminar as tarefas a que se propõe, pois em geral ele concebe projetos grandiosos demais, os quais não consegue finalizar. O educador deve elogiar o aluno com constância, NÃO APENAS QUANDO ELE ERMINA A TAREFA, mas DURANTE o transcorrer da mesma, INCENTIVANDO o seu término, uma vez que para o aluno com DDAH o CONCLUIR a tarefa é bastante difícil, exigindo quase o triplo de concentração (praticamente inexistente) que os demais. Seria adequado também que este estabelecesse para o aluno com DDAH tarefas de conclusão rápida. Inicialmente, para que este comece a finalizar adequadamente as tarefas, e, aos poucos, ir inserindo maior complexidade e maior duração 'as tarefas dele exigidas, visto que o aprendizado de organizacão para essas pessoas é extremamente penoso. Dividir as grandes tarefas em tarefas menores poderia possibilitar à esta criança vislumbrar que a tarefa PODE ser terminada, algo que é extremamente difícil para os portadores de DDAH, possibilitando ao professor trabalhar a capacidade da criança, geralmente minimizada por ela (baixa autoestima) além do que evita acessos de fúria pela frustração antecipada de não terminar a tarefa em crianças menores, e as atitudes provocadoras dos maiores. Utilizar uma agenda de contato com a família, por sua vez, facilita a troca de informações, pois os únicos momentos de contato (quando existem) entre professores e pais são os horários de entrada e saída dos alunos. E estes não são os momentos mais adequados para trocar informações tão valiosas e individuais... Utilizar exercícios físicos (até com um enfoque de psicomotricidade) também auxiliam sobremaneira o portador de DDAH, pois ajudam a liberar o excesso de energia, concentrar a atenção em um objetivo facilmente entendido e visualizado ( correr até a linha vermelha), estimular a fabricação de endorfina, além de ser muito divertido. Por fim, seria um caso a se pensar propiciar uma "válvula de escape" como, por exemplo, sair da sala de aula por alguns instantes, (isso se for permitido pela direção da escola) indo buscar algo na classe vizinha, dar um recado para alguém que se encontra fora da sala de aula, (inicialmente entregar um bilhete a uma pessoa, pois eles esquecem o recado a ser dado ), ir o banheiro, pois isso fará com que ele deixe (sob controle) a sala e não fuja dela, além de começar a aprender meios de autoobservação e automonitoramento. Considerações Finais Concluise aqui que a Inclusão no âmbito educacional é mais do que simplesmente permitir a permanência de um aluno com alguma deficiência em sala de aula. É um processo contínuo de possibilitar a este aluno um real acesso à educação, tendose em vista que acesso à educação é mais do que freqüência a uma escola, é oferecer a possibilidade do aluno especial apropriarse de todos os serviços que a mesma oferece aos demais alunos. Neste contexto, o aluno especial deve ser considerado diferente sim, afinal, todas as pessoas são diferentes entre si, mas a escola não pode deixar que esta diferença se transforme em desigualdade. Diferença e desigualdade sob hipótese alguma devem ser tomadas como sinônimos. A desigualdade é o não respeito à diferença, é não possibilitar que pessoas diferentes tenham direitos iguais. Assim, a escola, ao não esforçarse para proporcionar às crianças especiais o acesso à educação que as outras criança têm, está sim promovendo a desigualdade. Esta desigualdade se reflete até na maneira de se rotular as crianças especiais como "deficientes", pois isso transparece uma tentativa de transformar uma deficiência em várias deficiências, em transformar a criança especial em uma deficiente como um todo. E isto realmente impossibilitaria um trabalho junto a estas, tendo em vista que elas sempre seriam deficientes em relação às crianças ditas normais. O que não se entende é que um deficiente visual, por exemplo, ainda pode correr, escutar, aprender, se relacionar e até ler, afinal, já existe o "braile". Além disso, todos nós temos alguma deficiência: algumas mais perceptíveis, outras não. É notável, portanto, que o processo de Inclusão no âmbito educacional constituise hoje como um processo de difícil consecução, visto que, para que isso ocorra de fato, necessitase de uma mudança de valores dentro das escolas e da sociedade.. A sociedade em que vivemos está cheia de preconceitos e desigualdades e isto se reflete no sistema educacional. Desta forma, precisamos ver as necessidades especiais nos contextos mais amplos das desigualdades sociais para que possamos, através de pesquisas e projetos, intervir e realizar trabalhos que impeçam a exclusão desses indivíduos. Bibliografia BAUTISTA, Rafael (coord). Necessidades Educativas Especiais. Lisboa: Dina Livro, 1997. COOL, César et al (orgs). Desenvolvimento Psicológico e Eduacação: Necessidades Educativas Especiais e Aprendizagem Escolar. Por to Alegre: Artes Médicas, v.3, 1995. LAGE, Ana. Autismo Infantil: Revisão Bibliográfica. Fortaleza, 1984. MITTLER, Peter. Educação Inclusiva: Contextos Sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003. PEETERS, Theo. Autismo: Entendimento Teórico e Intervenção Educacional. Rio de Janeiro:
O que é insuficiência hepática?
A insuficiência hepática é a consequência mais grave de quase todas as doenças crônicas no fígado. É a situação em que as funções dofígado geralmente encontram-se diminuídas, ocasionando dificuldades do órgão em desempenhar suas funções normais. Ela pode ser aguda ou crônica e cada uma delas pode ser de natureza benigna ou maligna. A insuficiência hepática aguda complicada por encefalopatia costuma ser fulminante, deteriorando significativamente o fígado e quase sempre levando o paciente à morte em poucos meses.
Quais são as causas da insuficiência hepática?
As alterações funcionais do fígado são a consequência comum de todos os distúrbios que afetam os hepatócitos, as células funcionais do fígado. As causas da insuficiência hepática podem ser tóxicas e não tóxicas. Entre as primeiras, encontram-se uma infinidade de substâncias que podem causar insuficiência hepática, como hepatotoxinas intrínsecas; certos medicamentos e metais; fósforo; ouro; álcool etc. Entre as causas não tóxicas pode-se citar: hepatite viral aguda, hepatite crônica autoimune, doença de Wilson etc. Quase todas essas causas levam, com o tempo, a uma cirrose (“cicatrização”) hepática que afeta a função do órgão.
Quais são os sinais e sintomas da insuficiência hepática?
Os sinais e sintomas da insuficiência hepática dependem de sua intensidade. Se leve, ela provoca manifestações ligeiras ou até pode ser assintomática; se moderada, ocasiona manifestações evidentes; quando grave, provoca manifestações muito evidentes e complicações sérias.
Os principais sinais e sintomas da insuficiência hepática podem ser: anorexia; náuseas; vômitos; desconforto abdominal; icterícia (amarelão); aumento das bilirrubinas; hipoglicemia; baixa concentração de albumina, causando edemas; odor "bolorento" no corpo; acidose lática; distúrbios da coagulação do sangue; insuficiência renal e hemorragias gastrointestinais. Casos graves evoluem para encefalopatia, com manifestações que incluem depressão do sistema nervoso central e distúrbios da função neuromuscular (aumento do tônus muscular, movimentos mioclônicos e tremores). Podem surgir outros sintomas como cansaço, fraqueza e falta de apetite.
Como o médico diagnostica a insuficiência hepática?
O diagnóstico da insuficiência hepática pode ser feito pela análise do quadro clínico e por exames laboratoriais de sangue, que mostrarão aumento das bilirrubinas; hipoglicemia ou hiperglicemia; acidose lática; alterações dacreatinina, ureia, albumina e bilirrubinas; dosagem dos eletrólitos; transaminases e tempo de protrombina ou outras provas das funções hepáticas. Pode-se realizar ainda tomografia computadorizada do crânio eeletroencefalograma (EEG), em caso de encefalopatia. Além disso, outros exames podem ser necessários para esclarecer as condições causais da insuficiência hepática.
Como o médico trata a insuficiência hepática?
O tratamento da insuficiência hepática dependerá da causa e dos sintomas. Nas situações mais graves o tratamento é feito através de um transplante do fígado que, em alguns casos, pode salvar vidas.
Como evolui a insuficiência hepática?
A insuficiência hepática fulminante ocasiona altas taxas de mortalidade, mesmo com tratamento intensivo. Os sobreviventes geralmente terão uma recuperação completa em seis a dez semanas, com o restabelecimento da estrutura e funções do fígado.
Pacientes com insuficiência hepática que não desenvolvem encefalopatia, geralmente têm uma recuperação completa.
Não é comum haver complicações tardias.
Quais são as complicações possíveis da insuficiência hepática?
Uma das complicações mais importantes da insuficiência hepática é a encefalopatia hepática, uma patologiamental e neurológica que resulta da incapacidade do fígado em depurar certas substâncias tóxicas para o cérebro, especialmente o amoníaco.
As complicações da insuficiência hepática fulminante incluem edema cerebral, aumento da pressão intracraniana e hipotensão arterial intratável.
sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014
Saúde Mental e Actividade Física
A saúde é o estado de bem estar físico, mental e social e não apenas a ausência de doença ou de incapacidade (OMS, 1948).
De acordo com a OMS, a saúde mental é um termo usado para descrever o nível de qualidade de vida cognitiva/emocional. A saúde mental pode incluir a capacidade de um indivíduo apreciar a vida e procurar um equilíbrio entre as actividades e os esforços para atingir a resiliência psicológica.
Problemas de saúde mental mais frequentes são: a depressão; a ansiedade; as perturbações causadas pelo álcool/drogas; os problemas de sono; o cansaço crónico e os factores de natureza somática.
Como componentes da saúde mental, temos: a autoestima e autoperceções (componente avaliativa e autoconceito); o bem estar subjectivo (relativo á parte afectiva e cognitiva); o ajustamento emocional (numa perspectiva de equilíbrio emocional face aos factores de stresse); os estados de humor e os afectos (estados afectivos experimentados diariamente); stresse (com todos os seus factores); a função cognitiva (capacidade de aprendizagem, processamento de informação,...); os padrões de sono (onde existe um estado de consciência reduzida, assim como redução das funções sensoriais) e satisfação com a vida.
Podemos definir o autoconceito, como o conjunto de imagens acerca do que nós próprios pensamos que somos, o que pensamos que conseguimos realizar e o que pensamos que os outros pensam de nós e também de como gostaríamos de ser. Para além disto, podemos dividir o autoconceito em: académico (competências do indivíduo nos diferentes contextos académicos) e não académico (social, emocional e físico).
Para Marsh (1994) a autoperceção é a percepção que a pessoa tem em relação a si própria.
A autoestima é um sentimento valorativo do conjunto das nossas características corporais, mentais e espirituais que influenciam e formam a personalidade.
De acordo com Fox (1998) a autoestima é uma construção avaliativa global e relativamente estável que reflecte o nível para o qual o indivíduo se sente positivamente acerca de si próprio, por outro lado, considera o autoconceito como uma auto-descrição em vez de uma auto-avaliação.
As mudanças corporais resultantes da prática do exercício físico podem contribuir para uma melhoria efectiva do autoconceito corporal que cada um tem de si próprio. Isto porque, as pessoas que praticam actividade física acabam por realizar uma avaliação mais favorável, melhorando a sua competência desportiva, a sua condição e força física (confiança física), assim como a atracção corporal
Benefícios da actividade física
A actividade física regular está associada a imensos benefícios ao nível da saúde física e mental. Ao longo dos últimos anos, a prática regular de exercício físico tem sido reconhecida como uma alternativa não medicamentosa ao tratamento e prevenção de doenças crónico-degenerativas, promovendo a saúde e a sensação de bem-estar (Warburton, Nicol & Bredin, 2006) com benefícios evidentes tanto na esfera física quanto cognitiva.
O exercício físico é de extrema importância para a redução da tensão arterial; redução de peso e obesidade; redução da diabetes; proteção contra a osteoporose e enfraquecimento dos ossos; redução da doença coronária/cardiovascular, entre outros...
A prática do exercício físico pode contribuir para uma melhoria efetiva da saúde mental, no que concerne à capacidade de resistir às exigências da rotina diária, controle dos níveis de ansiedade, combate às depressões, construção da identidade pessoal, etc...
Estudos realizados na última década apontam para a existência de efeitos positivos da prática regular de exercício físico ao nível da saúde mental, em diferentes indicadores tais como os estados de humor, a depressão, a ansiedade, o stresse e a autoestima (Biddle, Fox, & Boutcher, 2000).
Os efeitos indiretos do exercício físico na saúde mental são: a melhoria da qualidade de vida e bem estar do indivíduo, assim como o desenvolvimento de um estilo de vida saudável preventivo de doenças.
Os efeitos diretos do exercício físico na saúde mental são: a prevenção/tratamento de desordens mentais; a melhoria do bem estar psicológico (estados de humor e autoperceções); a melhoria do funcionamento mental (gestão do stresse, sono e cognição) e melhoria do bem estar social (autonomia, interação e cidadania).
Prevenção das doenças mentais: depressão clínica (os efeitos do exercício físico são tão positivos como a psicoterapia); desordens mentais (os efeitos do exercício físico face aos acessos de pânico e ansiedade e esquizofrenia); ansiedade, pânico e fobias; desordens obsessivo-compulsivas; esquizofrenia e psicoses.
Estudos realizados sugerem que exercícios, nomeadamente os aeróbios, contribuem para a preservação da memória, qualidade do sono, humor, diminuem os níveis de stresse, combatem as doenças ligadas ao envelhecimento e ainda ajudam a controlar os sintomas de depressão e ansiedade. Os estudos também indicam que a prática de atividade física fortalece o sistema imunitário, diminui a dor crónica e melhora a atenção e concentração. Isto ocorre devido ao aumento de endorfinas (substância química que provoca uma sensação de prazer, euforia e bem estar) no sistema nervoso.
Esta sensação de bem estar provocada pelo exercício reflete-se diretamente na autoestima, ao nível social, profissional, espiritual, físico – conferindo perceções específicas da situação contextual do indivíduo.
Para além disto, o exercício físico também promove benefícios sociais, combatendo o isolamento e proporcionando integração do indivíduo.
Alguns cuidados com crianças Paralisadas Cerebrais (P.C)
Ao lidar com uma criança com paralisia cerebral, existe á sua volta uma variedade de problemas tais como:
• Não segurar a cabeça
• Não se manter sentada
• Não andar
• Mover-se de uma maneira descontrolada ou insegura
Deve-se ter em atenção ao modo como se lida com crianças que possuem estas características, não tendo estes cuidados, as crianças tornam-se mais descontroladas.
Como transportar a criança
Criança Espástica_
• Se tem dificuldade em abrir as pernas, ao pegar-lhe ao colo deve ser colocada sobre as ancas de pernas abertas
Criança Atetósica_
• Se tem movimentos descontrolados, ao pegar-lhe ao colo, os braços da criança tem que estar voltados para a frente segurando-lhe as mãos contra os joelhos unidos
Objectos Adequados
• Banco triangular. Com as costas bem apoiadas e as pernas abertas, a criança pode brincar numa posição correcta.
• Cadeira de madeira com tabuleiro
• Cunha de espuma que permite à criança brincar de barriga para baixo.
Como deslocar-se
Na criança com paralisia cerebral o seu corpo ao andar tem tendência a inclinar-se para a frente, o que torna difícil a sua deslocação.
• Prancha de madeira com rodas vai permitir que a criança que tem as pernas mais afectadas que os braços se desloque
Vestuário
O vestuário deve ser adaptado:
• Largo
• De abotoar à frente
• Evitar ou substituir os botões por fecho eclair, velcro e mola
São movimentos anormais que não podem ser controlados pela vontade. Incluem tremores, distonias, coréias, balismos, mioclonias e combinações variadas entre as anteriores. Há muitas causas, a depender do tipo específico de movimento, o qual é definido clinicamente pelo exame clínico e eventualmente pela caracterização eletrofisiológica.
Tremores: movimentos involuntários rítmicos e oscilantes, de qualquer parte do corpo, causados por contrações alternadas de grupos musculares. O movimento pode estar presente durante o repouso (tremor de repouso ou estático), ser aparente apenas na movimentação (tremor cinético ou de ação) ou em determinada postura (tremor postural). A posição em que o tremor aparece, assim como sua frequência (quantas vezes o movimento se repete por minuto) são dados essenciais na tentativa de se descobrir a causa do tremor e também para a devida solicitação de exames complementares. O tempo de instalação, a distribuição no corpo e outros dados da história e exame físico também são valiosos.
Distonia: contrações musculares sustentadas que causam abalos lentos, movimentos de torção e posturas anormais.Há contração simultânea de músculos agonistas (que facilitam o movimento desejado) e antagonistas (que dificultam o movimento desejado).
Coréia: palavra de origem grega que significa dança. Os movimentos têm início abrupto, são explosivos, geralmente de curta duração, repetindo-se com intensidade e topografia variáveis, assumindo caráter migratório e errático, o que faz parecer que o indivíduo esteja realizando uma dança ondulante.
Atetose: movimentos mais lentos e sinuosos, freqüentemente contínuos, lembrando uma contorção; envolvem predominantemente as extremidades.
Balismo: movimentos amplos, de início e término abruptos; levam a deslocamentos bruscos e violentos devido à ação de grandes grupos musculares, assemelhando-se a chutes ou arremessos. Em geral acometem apenas um lado do corpo, sendo assim chamados de hemibalismo. Pode também associar-se a movimentos coréicos na extremidade do membro afetado, denominando-se hemicoréia-hemibalismo.
Inclusão Escolar
A Inclusão escolar: um fato; uma realidade!
(A) Amparo legal.
• LDB - Lei nº 9.394 de 20/12/1996 - Cap. I art. 9º: Disposições comuns do ensino de primeiro e segundo graus.
• LDB - Lei nº 9.394 de 20/12/1996 - Cap.V art. 58, 59 e 60.
• Constituição Federal – art. 7º, XXXI, art. 208, III.
• ECA
(B) Afins
• Declaração de Salamanca (1994),
- O Principio da Inclusão consiste no reconhecimento da necessidade de se caminhar rumo à escola para todos – um lugar que inclua todos os alunos, celebre a diferença, apoie a aprendizagem e responda as necessidades individuais.
- Toda a criança tem o direito fundamental à educação e devem ter a oportunidade de conseguir e manter um nível aceitável de aprendizagem.
- Cada criança possui características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizado que são próprias, por estas razões, os sistemas de educação e os programas educativos devem ser planejados e implementados, tendo em vista a diversidade destas características e necessidades.
- Todas as pessoas com necessidades especiais devem ter acesso às escolas regulares, e estas devem se adequar através de uma pedagogia centrada na criança.
- As escolas regulares, que seguem esta orientação inclusiva, constituem os meios capazes para combater as atitudes discriminatórias, e criar comunidades abertas e solidárias.
- O principio da educação inclusiva e o valor social da igualdade.
- Ensinamos os alunos através do exemplo que apesar das diferenças, todos nos temos direitos iguais
(C) – Inclusão x Qualidade
EDUCAÇÃO - Ato de “criar”, educar, instrução, formação do espírito.
- Direito de todos (acesso, permanência e qualidade)
Seja ela especial ou não.
• Processo de dialogo e aprendizagem para todos,
• Construir novas formas de trabalhar cooperativamente,
• Ampliar a noção de acesso e participação,
• Garantir o respeito à incorporação das entidades (sociais, culturais, afetivas, étnicas de gênero e física) de todos os envolvidos,
• Reconstruir o “olhar para os diversos possíveis”.
Inclusão não pode ser considerada como problema, mas como um DESAFIO DE “CRIAR”
• Diferentes modos de ser e estar no mundo,
• Diferentes modos de visões de realidade,
• Diferentes formas de aprender,
• Diferentes formas de movimento, de olhar, de escutar.
• Diferentes formas de conviver.
Precisamos: PENSAR JUNTOS:
• Como estão acontecendo os processos de interação?
• Qual o meu papel enquanto gestor, professor, família, cidadão, ONGS, poder público?
Necessitamos:
• Conhecer os recursos disponíveis,
• Conhecer as experiências,
• Conhecer a realidade dos benefícios das ações,
• Mapear as estratégias e espaços de participação,
• Cruzar indicadores e pesquisas,
• Recursos financeiros.
Necessidade de FORMAÇAO
• Gestores
• Profissionais
• Aluno - socializar
• Famílias – Direitos e Deveres
• Parcerias – Buscar instituições com conhecimento específico.
• Comunidade - questão social,
O processo paralelo de formação e demorado e complexo, mas não da para esperar a formação para a inclusão, pois ela já esta acontecendo, e realidade. Logo precisamos trabalhar juntos na construção de processos de inclusão.
(D) O papel do professor na inclusão
• Gostar do que faz; fazer com amor,
• Romper barreiras e preconceitos,
• Conhecer seu aluno em todos os sentidos (intelectual, emocional e social),
• Observar e Registrar (Banco de dados),
• Informar-se sobre a(s) dificuldade(s) que o aluno possui,
• Trocar informações com profissionais das diversas áreas,
• Trabalhar com os alunos da sala de aula (formas de ajudar),
• Adequar o currículo à criança,
• Envolvê-la e incentivá-la nas atividades de classe, principalmente em grupos,
• Tratá-la de forma igual a todos, respeitando suas necessidades especiais (físicas ou emocionais),
• Buscar formas alternativas que propicie a aprendizagem (“reinventar a roda”),
• Valorizar as habilidades que se destacam no aluno especial,
Conhecendo a Jéssica
Emocional:
• Possui altos e baixos, às vezes apresenta um nível de maturidade compatível à idade, outras vezes apresenta infantilidade,
• E ativa,
• Distrai-se com facilidade,
• Cria situações e acredita nelas como se fossem reais,
• E extremamente afetiva,
• Preocupa-se com colegas e professores,
• Esta sempre disposta a ajudar,
• Não enxerga maldade nas pessoas,
• Acredita fielmente no ser humano,
• E sensível, às vezes chora em decorrência dessa sensibilidade excessiva.
Social
• Faz amizade com facilidade,
• Gosta de trabalhar em grupo,
• Compartilha jogos e brinquedos,
• Respeita regras,
• Adora ler e cantar.
Intelectual
• possui um vocabulário rico, alem de sua idade cronológica,
• Lê, escreve e interpreta diversos textos (narrativo, poético, institucional, jornalístico, historias em quadrinhos, etc) sem grandes dificuldades na oralidade,
• Na escrita necessita de orientação e incentivo para fazer uso de seu vocabulário,
• Produz textos, principalmente narrativos fazendo uso de recursos gráficos com seqüência de fatos, clímax e finalização,
• Reconhece o sistema de numeração decimal,
• Atribui quantidade ao numeral,
• Efetua operações matemáticas, adição e subtração, com o uso do material concreto (dourado, ábaco, etc...),
• Elabora situações problema a operações apresentadas.
Como lidar com a Jéssica
• Tratá-la de forma igual aos demais, respeitando suas limitações,
• Procurar usar os mesmos textos da sala, porem com adaptações e critérios de avaliação que se enquadram a sua realidade,
• Incentivá-la sempre,
• Cobrar responsabilidade quanto às atividades escolares (trabalhos e lições de casa),
• Toda atividade deve ser orientada, passo a passo. Principalmente as de casa e trabalhos. Escritas e com roteiro,
• Faz uso de letra bastão, porem entende perfeitamente a letra cursiva,
• Tem dificuldade na organização do material escolar, necessita de auxilio e orientação (cadernos),
• Todo recado teve ser enviado via circular ou bilhete pela agenda (colar),
• Estabelecer regras referentes ao uso do banheiro (necessita ir mais de uma vez) e outros objetos trazidos à escola.
• Necessita de atividades diferenciadas, fazendo uso do concreto na compreensão das atividades matemáticas.
ANJOS EFICIENTES
Um belo dia um grupo de anjos-crianças dirigiu-se a Deus. Estavam preocupados com o mundo e seus habitantes. Deus explicou a eles que havia dado ao homem livre arbítrio e que, portanto, ele era responsável por seus atos e por levar o mundo por caminhos não tão promissores. Preocupados, os anjos fizeram uma proposta a Deus. Como se sabe, Ele ama a todos os seus filhos e mais especialmente as crianças.
O primeiro anjo disse: “Senhor, os homens na Terra estão precisando ver melhor as coisas. Não conseguem vislumbrar que toda causa gera uma consequência. Vou dar a eles, Senhor, a minha visão para que possam enxergar a necessidade de cuidar uns dos outros e do planeta”, disse.
“Estão assim porque não dialogam mais”, afirmou o segundo anjo. “Falam de si, mas são incapazes de ouvir o outro. Pensam no individual e esquecem que ninguém vive só. Pois dou a eles, Senhor, a minha audição. Que com ela os homens escutem o próximo e as vozes da natureza com o coração”.
“Deixa eu lhes ajudar, irmãozinhos, doando aos homens a minha fala. Quem sabe possam conversar mais e superar as dificuldades entre os diferentes. Quero que conversem e se entendam. Permita, Pai, que eu lhes doe a linguagem perfeita que sai de minha boca”..
Um quarto anjo voou para perto e disse: “Além de não ver, não ouvir e não dialogar, os homens estão se arriscando em caminhos tortuosos. Suas pernas os levam por duvidosas trilhas nas bifurcações da vida, muito desgastada pelo corre-corre desenfreado. Consintais, Deus, que eu lhes ofereça as minhas pernas, para que com pernas novas os seus passos possam caminhar por caminhos mais primaveris”.
“Os pobres homens estão com a sensibilidade exposta”, interveio um anjo que acompanhava atento a conversa. “Posso entregar-lhes minhas fibras para que reforcem seu sistema nervoso, protegendo-se assim dos males de seu desequilíbrio. Isso, claro, se o Senhor me facultar fazê-lo”. Deus a tudo ouvia.
Um sexto anjo pronunciou: “Não poderia me furtar a ajudar a melhorar o mundo. Quero entender os homens. Deixe-me, Pai Grandioso, buscar na Terra um cromossomo para ver se melhor compreendo no DNA da humanidade o porquê de tanta guerra, de tanta discórdia”.
O sétimo falou: “Eu também quero ajudar. Preocupa-me o uso descuidado do cérebro humano. O homem já não raciocina direito. Como minha parte, Senhor, quero lhes doar a capacidade dinâmica de meu cérebro. Quem sabe assim as pessoas ajam mais fraternalmente”.
E assim foi: uma multidão de anjos-crianças juntou-se em volta de Deus, cada um com sua oferta, que de tão generosa e altruísta foi prontamente aceita por Ele.
Para quem não sabe, os anjos-crianças vêm ao mundo em forma de bebês. Dos que fizeram a proposta a Deus, o primeiro nasceu cego. O segundo, surdo. O terceiro, disléxico. O quarto, com pernas mais curtas. O quinto, com esclerose múltipla. O sexto, com síndrome de Down. O sétimo, com paralisia cerebral. O oitavo e nono, que não aparecem na história, com autismo e com síndrome de Williams, respectivamente.
Assim, cada criança que nasce com o que os humanos chamam de deficiência é a mais pura manifestação da doação dos anjos por um mundo melhor. Na sua sabedoria, Deus concedeu aos pequenos uma bênção em troca de sua entrega: determinou que esses anjos nascessem em famílias especiais. Essas famílias sabem, cada uma delas, do que estou falando. Deus sempre dá um jeito de lhes contar a história de seus anjos eficientes.
A EDUCAÇÃO ESPECIAL E A POLÍTICA EDUCACIONAL BRASILEIRA
É sabido que a educação especial está cada vez mais discutida e levada à realidade de nossas escolas.
Porém, acompanhamos ou ouvimos histórias que expressam descaso e pouca atenção aos alunos especiais. O direito à educação especial é constitucional ( CF artigo 208º ), consta na Lei de Diretrizes e Bases do Ensino Nacional ( LDB – Lei 9394/96 ) , Estatuto da Criança e do Adolescente ( Lei 853/89 ) e sustenta-se também na Declaração de Salamanca.
É indubitável que as escolas brasileiras desenvolvam uma pedagogia centralizada na criança, capaz de educar com sucesso todos os meninos e meninas, inclusive os que sofrem de deficiências graves. As crianças com necessidades educacionais especiais devem receber todo apoio adicional necessário para garantir uma educação eficaz.
Deverão ser tomadas as medidas necessárias para conseguir a mesma política integradora de jovens e adultos com necessidades especiais, no ensino secundário e superior, assim como nos programas de formação profissional e também assegurar que, num contexto de mudança sistemática, os programas de formação do professorado, tanto inicial como contínua, estejam voltados para atender às necessidades educacionais especiais nas escolas.
O Plano Nacional de Educação estabelece vinte e sete objetivos e metas para a educação das pessoas com necessidades educacionais especiais. Sinteticamente, essas metas tratam:
• do desenvolvimento de programas educacionais em todos os municípios – inclusive em parceria com as áreas de saúde e assistência social – visando à ampliação da oferta de atendimento desde a educação infantil até à qualificação profissional dos alunos;
• das ações preventivas nas áreas visual e auditiva até a generalização do atendimento aos alunos na educação infantil e no ensino fundamental;
• do atendimento extraordinário em classes e escolas especiais ao atendimento preferencial na rede regular de ensino;
• da educação continuada dos professores que estão em exercício à formação em instituições de ensino superior.
Lei n°. 853/89. Dispõe sobre o apoio às pessoas com deficiências, sua integração social, assegurando o pleno exercício de seus direitos individuais e sociais.
Lei n°. 8.069/90. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, entre outras determinações, estabelece, no § 1o do Artigo 2o:
“A criança e o adolescente portadores de deficiências receberão atendimento especializado.”
Ordenamento do Artigo 5º é contundente:
• “Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.”
Lei n°. 9.394/96. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
• Art. 4º, III – atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino.
• Art. 58. Entende-se por educação especial, para os efeitos desta lei, a modalidade de educação escolar, oferecida preferencialmente na rede regular de ensino, para educandos portadores de necessidades especiais”.
§ 1º Haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na escola regular, para atender às peculiaridades da clientela de educação especial.
§ 2º O atendimento educacional será feito em classes, escolas ou serviços especializados, sempre que, em função das condições específicas dos alunos, não for possível a sua integração nas classes comuns de ensino regular.
§ 3º A oferta de educação especial, dever constitucional do Estado, tem início na faixa etária de zero a seis anos, durante a educação infantil.
• Art. 59. Os sistemas de ensino assegurarão aos educandos com necessidades especiais:
I – currículos, métodos, técnicas, recursos educativos e organização específicos, para atender às suas necessidades;
II – terminalidade específica para aqueles que não puderem atingir o nível exigido para a conclusão do ensino fundamental, em virtude de suas deficiências, e aceleração para concluir em menor tempo o programa escolar para os superdotados;
III – professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns;
IV – educação especial para o trabalho, visando a sua efetiva integração na vida em sociedade, inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo, mediante articulação com os órgãos oficiais afins, bem como para aqueles que apresentam uma habilidade superior nas áreas artística, intelectual ou psicomotora;
V – acesso igualitário aos benefícios dos programas sociais suplementares disponíveis para o respectivo nível do ensino regular.
• Art. 60. Os órgãos normativos dos sistemas de ensino estabelecerão critérios de caracterização das instituições privadas sem fins lucrativos, especializadas e com atuação exclusiva em educação especial, para fins de apoio técnico e financeiro pelo Poder Público.
Parágrafo Único. O Poder Público adotará, como alternativa preferencial, a ampliação do atendimento aos educandos com necessidades especiais na própria rede pública regular de ensino, independentemente do apoio às instituições previstas neste artigo.”
Com a finalidade e o intuito de garantir a qualidade educacional a todas as pessoas com necessidades especiais, sobretudo na escola regular, fazem-se necessários o acompanhamento e a parceria entre pais, escolas e poder público. Dessa forma, chegaremos à pedagogia centralizada na criança, respeitando tanto a dignidade como as diferenças de todos os alunos.
É nosso dever ( e nossa luta ) repudiar atitudes discriminatórias, criar comunidades acolhedoras , construir uma sociedade integradora e dar educação a todos .
( Este material sintetiza a Constituição Federal, Lei de Diretrizes e Bases, Estatuto da Criança e do Adolescente, Declaração de Salamanca e alude-se também às Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica – Conselho Nacional de Educação ).
INTERDIÇÃO - TUTELA E CURATELA
Interdição - tutela e curatela
Na verdade, não existe diferença entre interdição e curatela. A segunda é conseqüência da primeira.
A primeira é o resultado da apuração da incapacidade do interditando para os atos da vida civil e a segunda é o documento que estabelece quem será o curador e quais os atos que poderão ou não ser praticados pelo interditando, a grosso modo.
A interdição parcial é possível, posto que, a interdição total impede qualquer ato civil.
Assim, a pessoa que é interditada parcialmente poderá sim praticar alguns atos, desde que acompanhada pelo seu curador.
Ou seja, o interdito poderia assinar um documento, desde que, seu curador assinasse também.
É realmente complicado determinar quais os limites da interdição, porém, não é impossível.
O nosso direito admite a interdição de maiores considerados incapazes:
a) Psicopatas ( dementes, imbecis, dipsomanos) que, por serem portadores de enfermidade mental, não estão aptos a dirigir a si mesmos e seus bens;
b) Toxicômanos, ou seja, aqueles que, viciados, abusam habitualmente e irresistivelmente de tóxicos ou entorpecentes;
c) Surdos que não receberam a educação apropriada e, em razão disso, não conseguem emitir sua vontade;
d) Pródigos, que são as pessoas que dissipam descontroladamente seu patrimônio como se não tivessem noção da importância da riqueza material.
Podem promover a interdição do incapaz:
a) seu pai, mãe ou tutor;
b) seu cônjuge ou algum parente próximo;
c) o Ministério Público.
Para que se apure estes limites, é necessário investigar o estado físico e psíquico do interditando, e determinar-se qual a condição dele trabalhar, comprar, vender, assinar documentos, a fim evitar prejuízos causados pelos atos deste.
Assim, a interdição se dá através de um processo judicial que ao final resultará em uma sentença que determinará ou não se este indivíduo possui ou não capacidade mental para discernir os atos da vida civil.
Isto se dá através de uma ação que após o recebimento da petição inicial, intervenção do MP, determinação de perícia médico-judicial, depoimento do interditando, oitiva de testemunhas, juntada de documentos, etc, resultará na declaração de que este indivíduo não é capaz para responder por estes atos. E poderá sim, estabelecer que este indivíduo poderá assinar algum documento, ou praticar determinado ato, desde que, conjuntamente com seu curador.
A certidão de curatela evidencia que determinada pessoa é curadora deste interditando, e será encarregada de cuidar do interdito e defender seus bens por determinação judicial.
Desta forma, também estabelecerá os limites da responsabilidade do curador em relação ao interdito, e, é claro será resultado de todo o processo investigatório sobre o grau da deficiência intelectual.
Com relação à lei de cotas, o deficiente pode ser beneficiado na preferência por uma vaga, já que uma empresa é obrigada a manter uma cota de deficientes em seu quadro funcional.
Dentre outras, também temos uma cota a ser preenchida na realização de concursos públicos, desde que, a deficiência permita o desenvolvimento da atividade proposta.
Já com relação à obtenção de pensão por morte de seus genitores, é imprescindível a interdição, posto que, com esta declaração judicial, o interditando será como um indivíduo menor, e assim, terá direito ao recebimento do benefício. Portanto, acho importante esta consideração, quando ainda podemos resolver.
Adriana Paiva, advogada
www.swbrasil.org.br/uploads/download
(Da Isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados- Dra. Adriana Paiva)
RETARDO MENTAL
De maneira geral, um indivíduo pode ser definido como tendo retardo mental baseado nos seguintes três critérios:
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nível de funcionamento intelectual (QI) abaixo de 70 - 75, |
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presença de limitações significativas em duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, |
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a condição está presente antes dos 18 anos de idade. |
Definição de retardo mental
Retardo mental diz respeito a limitações significativas no funcionamento intelectual.
É caracterizado por:
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retardo mental que se manifesta antes dos 18 anos de idade, |
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funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, concomitante a |
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limitações em duas ou mais das seguintes áreas de habilidades adaptativas: |
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Comunicação e Cuidado pessoal |
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Vida em casa e Habilidades sociais |
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Funcionamento na comunidade e Autodeterminação |
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Saúde e segurança e Habilidades acadêmicas funcionais |
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Lazer e Trabalho |
Pressupostos essenciais à aplicação da definição
Os seguintes pressupostos devem ser considerados ao aplicar a definição.
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Uma avaliação válida considera as diversidades culturais e lingüísticas como também as diferenças na comunicação e fatores de comportamento. |
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A existência de limitações em habilidades adaptativas acontece dentro do contexto do ambiente de comunidade típico da idade do indivíduo e em relação a pessoas de sua idade, sendo indexado às necessidades individualizadas de auxílio da pessoa. |
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Limitações adaptativas específicas freqüentemente coexistem com capacidades em outras habilidades adaptativas ou outras capacidades pessoais. |
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Com suporte apropriado por um período contínuo, geralmente ocorrerá melhora na vida funcional da pessoa com retardo mental. |
Incidência
Alguns estudos têm estimado que o retardo mental afeta 2,5 a 3% da população.
Alguns autores, como Batshaw(1997), calculam que o retardo mental é 10 vezes mais freqüente do que a paralisia cerebral, 28 vezes mais prevalente do que os defeitos do tubo neural, tais como a espinha bífida, e 25 vezes mais comum do que a cegueira.
O retardo mental não parece ter preferência por raça; contudo, aproximadamente 60% dos afetados são homens.
Quadro clínico
Os efeitos do retardo mental variam consideravelmente de pessoa para pessoa, assim como as habilidades individuais variam entre as pessoas que não tem retardo mental.
Das pessoas com retardo mental, aproximadamente 87% serão afetadas de maneira bastante leve, e serão somente um pouco mais lentas na aquisição de novas habilidades e informações. Quando crianças, seu retardo mental não é facilmente identificável, podendo não ser evidente até que elas entrem para a escola. Muitas delas, quando adultas, conseguirão levar uma vida independente na comunidade e não serão mais vistas como tendo retardo mental.
Os restantes 13% da população afetada, aqueles com QI abaixo de 50, terão sérias limitações de funcionamento. Contudo, com intervenções precoces, educação funcional e com suporte adequado, quando adultos, todos poderão levar vidas satisfatórias na sua comunidade.
Diagnóstico
O sistema da AAMR (Associação Americana de Retardo Mental), para o diagnóstico e classificação de uma pessoa como portadora de retardo mental, segue três passos e descreve o sistema de apoio que a pessoa necessita para superar seus limites nas habilidades adaptativas.
O primeiro passo para o diagnóstico é a aplicação por pessoa capacitada de um ou mais testes padronizados de inteligência e testes padronizados de habilidades adaptativas, individualmente.
O segundo passo é descrever os pontos fortes e fracos da pessoa em quatro dimensões, que são:
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Habilidades intelectuais e comportamentais adaptativas |
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Considerações emocionais/psicológicas |
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Considerações físicas/ de saúde/ etiológicas |
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Considerações ambientais |
Os pontos fortes e fracos podem ser determinados por testagem formal, observação, entrevistas com pessoas importantes na vida do paciente, entrevistas com a pessoa sendo avaliada, interagindo com a pessoa e sua família na vida cotidiana, ou por uma combinação desses métodos.
O terceiro passo exige uma equipe multidisciplinar para determinar o apoio necessário nas quatro dimensões mencionadas. Cada apoio identificado é classificado em um de quatro níveis de intensidade - intermitente, limitado, extensivo, intensivo.
| Apoio intermitente |
refere-se a um suporte oferecido quando necessário. Um exemplo seria o apoio necessário para que a pessoa procure um novo emprego na eventualidade de ficar desempregada. O apoio intermitente pode ser necessário ocasionalmente por um indivíduo durante sua vida, mas nunca de maneira contínua. |
| Apoio limitado |
é aquele necessário durante um período determinado de tempo. Um exemplo seria na transição da escola para o trabalho ou durante o treinamento para uma função específica. |
| Apoio extensivo |
é aquela assistência que a pessoa necessita diariamente e sem limite de tempo. Pode incluir apoio em casa e/ou no trabalho. |
| Os apoios intermitente, limitado e extensivo podem não ser necessários em todas as áreas para um indivíduo. |
| Apoio intensivo |
refere-se ao apoio constante, em todas as áreas, com base diária, podendo incluir medidas para o suporte de vida. |
Causas do retardo mental
O retardo mental pode ser causado por qualquer condição que prejudique o desenvolvimento cerebral antes do nascimento, durante o nascimento ou nos anos de infância. Várias centenas de causas têm sido descobertas, mas a causa permanece indefinida em aproximadamente um terço dos casos.
As três principais causas identificadas de retardo mental são:
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a Síndrome de Down, |
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a Síndrome alcoólico-fetal e |
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a Síndrome do X frágil. |
As causas podem ser divididas em categorias.
Condições genéticas
Resultam de anormalidades nos genes herdadas dos pais, devidas a erros de combinação genética ou de outros distúrbios dos genes ocorridos durante a gestação. Centenas de distúrbios genéticos associam-se ao retardo mental. Alguns exemplos são a fenilcetonúria, a Síndrome de Down e a Síndrome do X frágil.
Problemas durante a gestação
O uso de álcool ou outras drogas durante a gestação pode levar ao retardo mental. Alguns trabalhos têm relacionado o fumo na gestação com um risco maior de retardo mental na criança. Outros problemas incluem a desnutrição, toxoplasmose, infecção por citomegalovírus, rubéola e sífilis. Gestantes infectadas pelo vírus HIV (AIDS) podem passar o vírus para a criança levando a dano neurológico futuro.
Problemas ao nascimento
Qualquer condição de estresse aumentado durante o parto pode levar a lesão cerebral do bebê; contudo, a prematuridade e o baixo peso ao nascer são fatores de risco independentes mais freqüentes que qualquer outra condição.
Problemas após o nascimento
Doenças da infância como catapora, sarampo, coqueluche e a infecção pelo Haemophilus tipo B, que podem levar a meningite e encefalite, também podem causar danos ao cérebro. Acidentes, intoxicações por chumbo, mercúrio e outros agentes tóxicos também podem causar danos irreparáveis ao cérebro e sistema nervoso.
Estado socioeconômico
A desnutrição também pode levar ao retardo mental.
Alguns estudos também sugerem que a pouca estimulação, que ocorre em áreas muito desprovidas das experiências culturais e ambientais normalmente oferecidas às crianças, pode surgir como causa de retardo mental.
Prevenção
Nos últimos 30 anos, vários avanços científicos têm ajudado a prevenir muitos casos de retardo mental. Estima-se que nos Estados Unidos são prevenidos a cada ano:
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250 casos de retardo mental por fenilcetonúria, graças ao teste do pezinho e ao conseqüente tratamento dietético adequado. |
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1.000 casos de retardo mental por hipotireoidismo, graças ao teste do pezinho e ao conseqüente tratamento hormonal adequado. |
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1.000 casos de retardo mental pelo uso de imunoglobulina anti-Rh, que previne a doença por incompatibilidade Rh entre mãe e feto, reduzindo a icterícia severa no recém-nascido. |
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5.000 casos de retardo mental causados por infecção pelo Haemophilus influenzae tipo B, graças ao uso rotineiro de vacina contra Haemophilus nas crianças. |
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4.000 casos de retardo mental devidos à encefalite pelo sarampo, graças à vacinação das crianças. |
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Um número desconhecido de casos de retardo mental devidos à rubéola congênita, graças à vacinação das crianças. |
Outras medidas têm contribuído para a redução do número de casos de retardo mental.
A eliminação do chumbo do meio ambiente, medidas preventivas do trauma como o uso adequado de assentos nos carros e de capacetes para bicicleta, programas de intervenção precoce para crianças de risco, programas de atenção pré-natal reduzindo os riscos da transmissão do vírus da AIDS ou de defeitos do tubo neural.
Todas estas medidas são exemplos de ações que ajudam a diminuir o número de pessoas com retardo mental na comunidade.